Escritos - página anexa destinada a postagem de obras autorais

19 de jul de 2014

Tormenta - Prólogo


Nota: Tormenta é uma releitura do conto cancelado "Calibre 11". Os capítulos do conto anterior foram mantidos na página. 
 Chovia muito naquele dia.
Era uma medonha tormenta, repleta de raios que se precipitavam contra as árvores que estavam perigosamente muito próximas a mim. Tudo na verdade estava muito medonho de uns tempos para cá. É uma tarefa difícil recolher a poeira e tentar se reerguer num lugar antes arrasado por bombas, tudo fica tão complicado...
O pior de tudo é que eu estava grávida e daria a luz naquele horrível dia.
Quando eu era mais nova, tinha o ingênuo pensamento de que o dia do meu parto, o dia em que eu traria uma criança ao mundo seria o mais belo de todos. Eu estaria cercada de pessoas amáveis. Seria um lindo dia e o sol sorriria para mim.
Solto uma trágica gargalhada ao me lembrar disso.
Gargalhada que logo se transforma em choro, quando eu lembro da situação em que me encontro.
As contrações diminuem de intervalo.
Eu conto aos sussurros os segundos que passam até que a dor volte.
Eu estou dentro de um barraco frio de madeira, no meio do nada, sem ninguém, deixada para morrer.
E eu sinceramente acho que isso vai acontecer, mas antes, eu preciso salvar o meu filho.
A dor é muito forte, o frio gela os meus ossos, mas eu respiro fundo e faço o que qualquer um mandaria uma grávida fazer numa hora dessas.
Eu coloco uma bola de pano na minha boca e faço força até não suportar mais.
Eu solto o ar e começo a chorar, então me lembro do meu principal desejo: manter meu filho vivo. Então eu faço força novamente.
O suor escorre pela minha pele gelada e eu enxugo minhas lágrimas.
Então eu respiro fundo e agarro meus joelhos, fazendo o máximo de força que consigo.
E o que vem em seguida é o choro de um bebê e a sensação de alívio.
É uma menina.
E o único nome que me vem a cabeça é... Daphne.